Três, dois, um. Turquia!

Efeito Kibe

Efeito Kibe

Por Murilo Silva

Naquele instante transcendental da virada do ano, muita gente por aí deve ter mentalizado em  suas aspirações para 2014: “Turquia, Turquia, Turquia…”

Isso porque a nova onda por aqui, entre aqueles que querem trocar o governo errático do PT por um de veras conservador, é comparar o Brasil com a Turquia.

A receita é antiga, no começo dos anos 90 se dizia que a Argentina do hoje era o Brasil de amanhã, as catástrofes econômicas começavam lá e batiam aqui – era o chamado ”Efeito Tango”.

Depois, entre a primeira e a segunda década de 2000, passou-se a dizer o contrário, que o Brasil de hoje seria a Argentina do amanhã – o chamado ”Efeito Caipirinha”.

Comparações entre Brasil e Argentina são mais compreensíveis, pela proximidade.

Contudo, a nova coqueluche da direita consiste na ideia de que, apesar de estarem em hemisférios diferentes, os destinos de Brasil e Turquia estão ligados por uma espécie de “Efeito Kibe”.

Isso porque nota-se algumas semelhanças entre Lula e o prêmie Recep Tayyip Erdogan.

Lula e Erdogam chegaram ao poder na mesma época, e os dois foram beneficiados por períodos de forte crescimento econômico, até aqui.

Ambos fizeram governos desenvolvimentistas. Favoreceram o emprego e a renda, por consequência, o consumo.

Com esses avanços, Lula fez sucessor (sucessora) e Erdogan conseguiu um terceiro mandato.

A tese do Kibe consiste no seguinte:

Com a desaceleração que seguiu da crise de 2008 – e que se reflete até agora – os dois países, cujos governos surfavam em altas taxas de popularidade, passaram a sentir os impactos da intempérie econômica em seu tecido político.

O reflexo mais dramático apareceu no ano passado, e começou na Turquia.

As ondas de manifestações que rasgaram o médio oriente entre 2012 e 2013 chegaram na Turquia e, de lá, tomaram o rumo para o ocidente.

Os protestos, que começaram entorno das árvores do parque Gezi, foram duramente reprimidos. Por consequência, se alastraram por questões mais estruturais da cidadania, do espaço público, e da democracia.

O ”Efeito Kibe” bateu e bateu muito forte aqui.

Os protestos que começaram na esfera da municipalidade – no caso do Brasil, no transporte – depois de uma dura repressão, se estenderam por questões estruturais.

O que mostra uma certa insatisfação entre os cidadãos do mundo em desenvolvimento com o que seria o próximo passo, um Estado de bem-estar social.

E o que acontece agora na Turquia?

As vésperas das eleições locais (importantíssimas em um país parlamentarista como a Turquia), um mega escândalo de corrupção assola o governo Erdogam.

Três ministros próximos ao prêmie foram os estopins da crise que já derrubou dez ministros do gabinete de Erdogam.

Em um 2014 com eleição presidencial e Copa do Mundo no Brasil – onde, tudo indica, novos protestos devem tomar as ruas do país – estaria parte da oposição fritando o Kibe de Dilma?

Esse editor prefere pensar que é apenas um fervoroso desejo de fim de ano: ”Turquia, Turquia, Turquia…”

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
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