PT deixa o “político-técnico” Fernando Haddad na mão

Por Bruno Pavan

O que faz um prefeito?

A adaptação da célebre frase dita pelo então candidato a deputado federal Tiririca serve bem para Fernando Haddad dizer para o PT depois de um ano na prefeitura de São Paulo.

Segundo “poste” bem sucedido de Lula, o ex-ministro da educação bateu o experiente José Serra nas eleições municipais de 2012 com o trunfo de ser “novo” na política.

Acontece que não se governa uma cidade como São Paulo para se fazer amigos.

A caneta na mão te dá poder mas também cria desgastes com setores da sociedade. Marta, para criar o bilhete único, teve que sair às ruas de colete à prova de balas. Até a não tão polêmica Cidade Limpa de Gilberto Kassab teve suas oposições de alguns setores.

Haddad comprou brigas necessárias nesse ano que esteve sentado na cadeira de prefeito: com os donos de carro ao implantar as faixas exclusivas para ônibus; com a classe média-alta ao tentar modificar as alíquotas do IPTU para que bairros mais pobres pagassem menos que os ricos; e com o funcionarismo público ao promover uma caça às bruxas na prefeitura com o caso da Máfia do ISS.

Errou ao não estar preparado para uma derrota, principalente no caso do IPTU, e agora vai ter que governar a cidade com R$ 800 milhões a menos. Poderia ter sido “conservador” e subir o preço em todos os bairros de forma igual. Arriscou e se deu mal. Coisas da política.

Uma das grandes falácias que se tornaram uma verdade conveniente é a do “político-técnico”.

Ele não liga pra politicagem e toma atitudes “doa a quem doer”.

Acontece que se de um lado Haddad tentou o lado mais difícil da luta do IPTU, não pensando nos dividendos políticos, do outro estava Paulo Skaf de olho no Palácio dos Bandeirantes.

O conto do “político-técnico” acaba aqui. E não acaba bem.

Posto esse erro de Haddad, uma coisa não pode deixar de ser dita: o abandono do PT ao prefeito.

Apesar de ter “a bola na marca do pênalti” na questão de renegociação da dívida do município, ainda não conseguiu ser ouvido pela união.

Agora, o PT se diz “frustrado” com Haddad e está com medo de que a avaliação ruim de seu governo possa prejudicar a eleição de Alexandre Padilha para o governo do Estado, menina dos olhos do partido em 2014.

Haddad tem sim que ser mais político e antever crises que possam acontecer em sua gestão, mas um prefeito não está comandando uma cidade para prejudicar ou facilitar a vida de ninguém.

Quando o leite for derramado não vai adiantar se queixar de cobertura da imprensa ou da Casa Grande.

Se o PT não ficar ao lado de Haddad em questões mais sensíveis, ele mesmo será o maior inimigo do prefeito.

Clique aqui para ler a ótima entrevista de Fernando Haddad para a versão brasileira do El Pais.

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