Favela da Oi? Será?

viva o Rio!

Tão perto do Cabral e tão longe de Deus

Por Murilo Silva

A polícia do Rio, com sua contumaz truculência, desapropriou hoje a chamada ”Favela da Oi”.

O terreno que fica na região do Engenho Novo, zona norte do Rio, foi ocupado em março por cerca de 5 mil pessoas. A área pertencia à antiga Telerj.

A empresa foi vendida ao consórcio Telemar, no leilão de privatização do Sistema Telebras, em 1998.

O Consórcio Telemar, que não tinha dinheiro para pagar o lote de empresas que arrematou, um complexo que varava o litoral brasileiro do sul ao nordeste, ganhou o apelido de ”Telegangue”.

Uma maledicência…

O que de fato chama atenção na brutal desocupação do terreno é que a máxima maioria das propriedades em poder das teles, na verdade, não são das teles – embora elas se comportem como se fosse.

O Fora de Foco pede licença à sua audiência para mostrar reportagem do Jornal da Band. A reportagem de Fábio Pannunzio, (cuidado com o Pannunzio…)

A matéria de 2011 tratava dos “bens reversíveis à União”.

Bens reversíveis são um conjunto de ativos compostos por móveis e imóveis que foram transferidos às teles, por tempo determinado, para que elas pudessem operar, mas que pertencem à União.

Segundo relatório de 2012 da Anatel, agência que supostamente regula o setor,  os bens reversíveis à União totalizam 8 milhões de itens, e alcançam valor de mercado de 108 bilhões de reais – (veja aqui).

Isso mesmo, caro colaborador, bilhões, com B de bola.

Para se ter uma ideia, o leilão do Sistema Telebras em 1998, arredou apenas 22 bilhões.

Os bens reversíveis formam um patrimônio imenso, que o ministro Paulo Bernardo, apelidado por Mino Carta como ministro do ”Plim-Plim e do Trim-Trim”, pretendia entregar às teles.

Uma consulta à lista de imóveis transferidos à Telemar pela União, a título de reversividade, pode ser uma tarefa muito enfadonha.

Só a lista de imóveis, prédios e terrenos, entregues a uma única empresa, a Telemar S.A., configura num arquivo PDF de 251 páginas.

O Fora de Foco não conseguiu identificar se o terreno da “Favela da Oi”, onde a PM fascista do consórcio Cabral/Pezão promoveu a barbárie pela manhã, está listada no conjunto de bens reversíveis à União. Isso por falta de especificidade na descrição dos imóveis.

Contudo, nossa pequena e aguerrida redação trabalha incessantemente em busca desses dados.

Mesmo sem tal confirmação, decidimos antecipar a publicação deste texto para instigar a concorrência a, quem sabe, descobrir se a “Favela da Oi” não deveria se chamar na verdade “Favela da União”.

Antecipamos que, só na cidade do Rio de Janeiro, são dezenas de terrenos e prédios. Esses terrenos devem, ou deveriam, voltar à União em 2025.

Porém, muitos desses terrenos já foram vendidos e alienados pelas empresas, como mostra o Pannunzio (cuidado com ele…) em outra reportagem em 2011:

 

Em tempo: A Oi não esconde de ninguém que pretende vender o terreno.

Nota à imprensa: “A companhia acrescenta que, reassumindo o controle de sua propriedade, esta permanecerá devidamente fechada com grades e manutenção de segurança patrimonial permanente, até a conclusão das negociações para a venda do imóvel

 

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
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