O antipetismo e a dengue

Por Bruno Pavan

Tempo de eleição é sempre bélico.

Um adesivo em baixo da foto das redes sociais, fotos e postagens já dão o tom de que esse não é um tempo bom para, digamos, arrumar amizades que pensam diferente de você.

Até ai, para este editor, nada de novo. Aliás, tudo velhíssimo.

Pessoas tem pensamentos diferentes, posturas diferentes, modos diferentes de pensar qual o melhor caminho para o Brasil.

Algumas faíscas, portanto, são inevitáveis.

Joga o jogo, vamos lá, como diz o poeta.

Acontece que nesses períodos de dois anos, um fenômeno acaba se repetindo com frequência, ao menos, desde 2006: o antipetismo.

Em uma democracia sadia, porém recente como a nossa, é obvio que pensamentos divergentes vão aparecer.

Nenhum crime ser neoliberal. Tenho até amigos que são.

No mundo todo existem partidos liberais, não sou eu que vou proibi-los no Brasil.

O antipetismo, ao contrário, não pensa o país. Ele não quer saber se para manter a taxa de inflação em 3% ao ano eu vou ter que fazer isso ou aquilo outro. Não tem opinião formada sobre o superávit fiscal nem sobre a taxa básica de juros.

Ele só quer, simplesmente, tirar o PT do poder.

Pelo Aécio ou pelo golpe militar, tanto faz, bradou uma senhora paulistana como na música de Naldo.

(Depois ela deixou o coração falar a expressar a preferência pela via não democrática)

O antipetismo é algo vazio de qualquer conteúdo político que mereça respeito.

Ele vive num Brasil onde há gays por toda a parte para abalar a velha estrutura familiar, onde o Bolsa Família assalta os cidadãos de bem, onde o golpe comunista está disfarçado de médicos cubanos, etc.

Ou seja: ele simplesmente mora em um país que não existe.

O PSDB muitas vezes é vítima nessa história, Aécio é melhor que esses eleitores todos. Mas também leva sua parcelinha do pagamento pra casa.

Em entrevista dada a mim, o professor da USP Leste Pablo Ortellado traçou uma radiografia dessa fatia política.

Ela não se pauta mais nos valores liberais de economia. Ela ocupou um lugar nas questões morais. Viu ali sua água parada e botou seus ovos.

Aproveitou um ranço preconceituoso da sociedade e ali ficou.

É reacionária, preconceituosa e punidora.

Menor tem que ser preso, mulher que aborta tem que morrer, pobres são pobres porque não trabalham.

Fim de papo.

A parcela de culpa do PSDB que, repito, é melhor que esse criadouro de dengue, é a opção pelo caminho mais fácil.

Quando convém, elege coronéis da Rota sem o bico social democrata do tucano nem ficar vermelho. E levanta bandeiras como a redução da maioridade penal.

O resultado da guinada do PSDB do centro-direita para a direita é expressa em noites como as dessa quarta-feira, onde os milhares que saíram às ruas na passeata em apoio a Aécio Neves gritavam “viva a PM”.

Além, é claro, de chamar a presidenta Dilma de terrorista.

Aloysio Nunes, ex-guerrilheiro que é, nem sei como deve ter se sentido.

(Tentei resgatar alguma analogia, mas nesse caso qualquer uma seria le-vi-a-na, como diz Aécio)

Assim como o PT, em 2002, pensou pragmaticamente ao dar o passo ao centro e ter, até hoje, figuras contraditórias apoiadores da ditadura, do agronegócio etc etc etc ao lado, o PSDB tem os novos-saudosos-da-ditadura.

O que serve de consolação é que a esquerda que surge das ruas tende a jogar o PT para a esquerda.

Nada indica que nasça algo entre o PSDB e a água parada para que aconteça algum erramos no ninho.

(Pra você, amigo colaborador, que chegou até aqui, um presente especial.)

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