Santos de barro

Por Bruno Pavan 

Pode-se dizer que o segundo round das manifestações de 2013 está nas ruas de várias capitais do Brasil agora, um ano e meio depois.

Sem a força de mobilizar milhões de pessoas, talvez pelo receio da repressão, os protestos contra a Copa do Mundo em 2014 foram aquém do esperado por quem acha que pessoas nas ruas é uma ciência exata.

Um ano e meio depois, o cenário é um pouco diferente.

Dilma Rousseff foi reeleita presidenta e, em São Paulo, Geraldo Alckmin foi reeleito governador. Contrariando novamente quem acha que o povo na rua é ciência exata.

Poderia me estender e dizer que também elegemos um congresso conservador, mas não é esse o foco desse texto.

A cidade que não para, não poderia mesmo receber, depois de um ano e meio, o Movimento Passe Livre do jeito que recebeu antes.

A cidade é um organismo vivíssimo e o seu solo, instável.

Dessa vez, o embate está muito claro, por mais que alguns não enxerguem dessa forma: é o MPL contra Fernando Haddad nas ruas de São Paulo.

Não estou excluindo da conta a PM, sempre presente e ao lado da “ordem“. O Braço armado do estado foi um dos catalisadores do grande motim de 2013.

Acontece que o prefeito, na defensiva um ano e meio atrás, resolve partir pro ataque e defender o que acredita ser o seu legado na cidade.

E ele tem razões pra isso.

Andar de ônibus na capital paulista de fato está muito melhor hoje do que era em 2013.

Aquelas vozes das ruas pautaram de alguma forma a sua gestão e ela priorizou o transporte público como eixo central de uma melhora na relação dos cidadãos com a capital.

Por ter de alguma forma colocado a mão, nem que seja só uma delas, no vespeiro da mobilidade, Haddad é o que mais precisa dar a cara pra bater quando toma decisões impopulares como o aumento no ônibus.

O governador Alckmin e o que ele representa no estado estão, de certa forma, mais firme com uma boa retaguarda das urnas.

Haddad tem muito a perder, apesar de dizer que não governa pensando na reeleição.

Se o prefeito não liga, o partido liga. Prova disso foi a pronta resposta à metralhadora cheia de mágoas de Marta Suplicy: o “telefone vermelho“ foi acionado e o fiador universal da governabilidade foi chamado para fechar a porta que parecia aberta à ex-prefeita.

O MPL, por sua vez, não deve ser pragmático. Deve mesmo deixar isso com os partidos do poder. Sua pauta é clara e, como já comprovada, verossímil.

Mas, como o solo é instável, não é certo que vamos estar melhores em 2016.

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