VI-TÓ-RIA DA CON-QUIS-TA

Mirem-se no exemplo de Vitória da Conquista

Por Bruno Pavan

Estou lendo “O réu e o rei“, do Paulo César Araújo, em que ele conta o processo de construção de sua biografia proibida, “Roberto Carlos em detalhes“.

O livro é uma semestre de faculdade em menos de 500 páginas, vale a pena pra quem se interessa por uma ótima história ou quer se enveredar pela a ingrata área das biografias.

Em um certo momento o autor conta sua vivência com João Gilberto, de quem se tornou amigo após telefonar para a casa do compositor querendo entrevista-lo.

A história do réu com o inventor da Bossa Nova é bonita e extravasa o interesse jornalístico.

Leiam o livro e vocês me entenderão.

Mas, como o nobre colaborador já está acostumado com os narizes de cera desse espaço, não é sobre isso que eu quero falar.

Em uma das dezenas de ligações de Araújo para João Gilberto, ele conta um pouco de sua história e diz que nasceu na cidade baiana de Vitória da Conquista.

O cantor, do outro lado da linha, diz o nome da cidade pausadamente, se dando conta da beleza dele: Vi-tó-ria da Con-quis-ta.

Em uma daquelas passagens de livros que vai ficar pra sempre na sua cabeça, fiquei cá pensando no significado daquela vitória.

Não existe palavra mais objetiva do que Vitória.

Vitória é vitória, oras…

Assim como homem é homem e menino é menino.

Vitória é chegar num resultado que você imaginou durante um processo.

Ela não permite muitas interpretações diferentes.

Vitória é algo que vai nos perseguir durante a vida.

Consequência quase que inevitável da vitória é a conquista.

Que também tem em seu fim um significado muito fechado.

“Parabéns, você fez tudo certo e conquistou tal coisa”

Levado ao extremo da frieza e dos dias duros e exatos demais de hoje, alguns vão imputar a conquista até um certo grau de, prepare-se… da meritocracia.

Caro amigo do século XXI, da geração X ou Y ou Z, amoleça-se e olhe para o mundo com outros olhos.

Conquista é um ato das ciências humanas.

Dezenas de caminhos, alguns deles bem diferentes, levam a conquista.

As vezes ela passa por um Drummond, as vezes passa pelo whey protein, as vezes passa por aquela canção do Roberto, do Chico, as vezes passa por um holerite (por que não?), as vezes passa por um sonho de valsa, as vezes passa por anos e anos de estudo, as vezes passar por planilhas e mais planilhas.

A beleza da conquista é o imponderável, o gostinho da incerteza onde muitas vezes você precisa colocar o pé no campo minado fora de sua querida zona de conforto.

Para dar um pouco de ciência exata a todo esse papo, a conquista dificilmente vem da inércia.

Mas o resultado de todo esse processo, ninguém sabe, ninguém viu, até ele dar as caras quando você não terá mais tempo de se armar de nada.

A conquista contem em si curiosidades: o resultado final é objetivo. Algo que você acredita que mereceu depois de um certo esforço.

Mas seu processo é um dos mais humanos possíveis.

E essa humanidade exacerbada significa falta de controle, o que nós, seres humanos, não admitimos.

Por isso os guias de como conquistar… emprego, amor da vida, dinheiro, casas… Por isso o cúmulo da falta de poesia dos palestrantes que te promete tomar o rumo da vida.

“Você que só ganha pra juntar, o que que há, diz pra mim o que que há?”, diz Vinícius que depois zomba: “que fossa, hein, meu chapa, que fossa…”

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