Separado nas arquibancadas… Chegados na desolação

Por Bruno Pavan

Ilmo. Sr. Ciro Monteiro ou

Receita pra virar casaca de neném

Chico Buarque/1969

 

Amigo Ciro

Muito te admiro

O meu chapéu te tiro

Muito humildemente

Minha petiz

Agradece a camisa

Que lhe deste à guisa

De gentil presente

Mas caro nego

Um pano rubro-negro

É presente de grego

Não de um bom irmão

Nós separados

Nas arquibancadas

Temos sido tão chegados

Na desolação

 

Amigo velho

Amei o teu conselho

Amei o teu vermelho

Que é de tanto ardor

Mas quis o verde

Que te quero verde

É bom pra quem vai ter

De ser bom sofredor

Pintei de branco o teu preto

Ficando completo

O jogo de cor

Virei-lhe o listrado do peito

E nasceu desse jeito

Uma outra tricolor

Quem está interessado na eterna crise política e econômica do segundo governo Dilma deve ter visto a entrevista do ex-governador do Ceará Ciro Gomes, no É Notícia da RedeTV.

Em contraponto a mesmice das bancas de revista, a entrevista é essencial.

Ciro, nas palavras do próprio, é um desastre quando se trata de vida partidária.

Nada mais coerente com o desastre que são os partidos brasileiros.

Mas, o contrário do que indica uma trajetória de alguém que fundou o PSDB, passou por PPS, PSB, Pros e outros, Ciro segue uma coerência invejável.

A música acima é de Chico Buarque (tricolor) para Ciro Monteiro (rubro-negro).

Chico transforma o Fla em Flu em poucos versos.

Coloca o verde aqui, vira o listrado do peito acolá e você nem percebe.

Ainda falta muita coisa pra 2018 e, em se tratando de Gomes, há muito tempo pra ele tropeçar nas palavras e pagar pela língua.

Hoje ele é um pré-candidato que terá três anos para criticar quem tiver que criticar e se manter a esquerda para ser uma alternativa, digamos, desenvolvimentista.

A principal dificuldade dele será agregar apoios sociais.

Ninguém se elege presidente com uma plataforma de centro esquerda sem apoio dos movimentos sociais e centrais sindicais.

Aí entra outro fator que não pode ser esquecido: Lula.

Mais do que isso: o PT.

Hoje é impossível acreditar que o partido fará sucessor em 2018.

Dilma, se terminar o mandato, vai pra uma fazenda e será a primeira ex-presidenta da história que não terá colunas de opinião ou transitará pelo poder.

Se não faz isso com a caneta na mão, imagine sem ela.

O fator de 2018 é Lula, que vai perder a eleição se insistir em forçar a barra e sair candidato.

“Terá de ouvir umas verdades”, de acordo com Ciro.

Resta saber qual papel o PT terá (ou vai achar que terá) daqui a três anos.

E também se Ciro vai ser um nome viável para o partido abrir mão de ter candidato a Presidência.

Me parece, sinceramente, que Ciro não quer ser presidente. “Se quiserem, eu sou candidato” não é um discurso de quem se interessa de verdade pelo Palácio do Planalto.

Ciro corre o risco de disputar com o hoje senador José Serra o título de “melhor presidente que o Brasil nunca teve”.

Só que com o sinal trocado.

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s