O Canadá em 2015 e a direita que lasca pedras

A bandeira do meu partido é vermelha de um sonho antigo

Por Bruno Pavan

O “comunismo” é o monstro debaixo da cama de vários países do mundo.

Primeiro ele ascendeu na América Latina que espoliada pelo neoliberalismo começou a eleger uma série de governos populares no final do século XX e início do XXI.

Mais tarde, pós crise de 2008, o fantasma começou a rondar a Europa. Discursos começaram a surgir contrariando a troika (sic) formada pela Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional (olha ele aí…) e Banco Central Europeu.

Os dois países que mergulharam na pior crise no continente acenam para algo diferente, a Grécia como o Syriza e a Espanha com o Podemos.

Agora a maior surpresa, o Canadá, aquele urso gelado que fica em cima dos Estados Unidos, resolveu eleger um primeiro ministro de centro esquerda.

Justin Trudeau é filho de Pierre Trudeau, um dos maiores líderes que o país já teve. Com pinta de galã de cinema, foi uma espécie de Kennedy do norte.

A economia do Canadá sofre. O governo conservador apostou na exportação de gás e petróleo e se deu bem enquanto seus preços estava em alta. Com a queda, o país entrou em recessão no terceiro trimestre de 2015.

Qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência.

Aproveitando o ímpeto do Banco Central canadense de cortar juros, Trudeau prometeu expansão de investimentos públicos. Colocará 60 bilhões de dólares canadenses em um programa de infraestrutura.

Em campanha, também prometeu cobrar mais impostos dos ricos…

(Se a montagem de Trudeau com o rosto de Fidel Castro não estiver na internet eu ficarei muito decepcionado com a direita canadense…)

Justin também prometeu que vai trazer o debate sobre legalização e regulamentação da maconha para todo o país.

Nesta semana ele aprontou mais uma. Seu ministério é composto de 50% de mulheres e perguntando o motivo disso Trudeau foi taxativo:

“Porque estamos em 2015…”

Enquanto isso, na maior economia do mundo e que está a somente alguns poucos quilômetros de distância do Canadá, o bilionário Donald Trump é um dos principais pré-candidatos do Partido Republicano a sucessão de Barack Obama em 2016.

Para se defender de uma entrevistadora que o fez perguntas duras, Trump disse que “Ela tinha sangue saindo de todos os lugares dela. Você podia ver que ela estava for de controle”.

É o grande trunfo de que a mulher está na TPM quando te indaga de alguma coisa.

Fora isso, chamou a atriz, apresentadora e ativista LGBT Rosie O’Donnel de “porca gorda”. Lá como cá Trump não foi responsabilizado criminalmente pelas declarações.

Claro que o Canadá está a muito longe do socialismo. Mas para a direita lascadora de pedra, qualquer coisa que atrapalhe o seu moonwalk em direção a idade média, seja um governo com 50% de mulheres ou uma redação do ENEM sobre violência contra as mulheres, já é algo que precisa ser retirado do caminho urgentemente.

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