De que lado sampa samba?

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Por Bruno Pavan

São Paulo sempre teve uma espécie de poesia peculiar.

O Rio de Janeiro, com uma beleza estonteante, foi palco da Bossa Nova, do barquinho, do cantinho e da garota de Ipanema.

São Paulo não, São Paulo não tem cristo, só tem Borba Gato.

São Paulo não tem corcovado, só tem o prédio do Banespa.

O charme de São Paulo é a deselegância discreta de suas meninas…

Leitor, resgate quais foram os melhores intérpretes de São Paulo…

Caetano Veloso, que se olhou no espelho e não se reconheceu na cidade que é o avesso, do avesso, do avesso, do avesso

(Que no final de tudo é o lado certo)

Adoniram Barbosa, que cantou o palacete assobradado que era a sua querida maloca e depois lamentou que não poderia ficar com a mulher amada, já que era filho único e sua mãe, provavelmente solteira, não ficava tranquila enquanto ele não chegasse em (sic) Jaçanã.

Mais recentemente, foi Mano Brown contou como ninguém a dura poesia concreta das esquinas da capital. A multidão cotidiana, um monstro sem rosto e coração. A cidade que olha para o resultado de sua indiferença, no Carandiru, curiosa, mas julgando aquelas vidas, que não tem tanto valor quanto o celular no seu bolso ou o computador na sua casa.

Brown, Caetano, Adoniram, na visão desse desengonçado e paulistano blogueiro, foram os que leram a realidade da paulicéia da forma mais eficiente.

O Poetinha Vinícius de Moraes, que foi um grande intérprete do Rio de Janeiro e das cariocas, teve a célebre frase de que São Paulo era o túmulo do samba.

Eu acredito que isso até gerou uma espécie de orgulho idiota nos paulistanos por um tempo, que se gabam tanto de supostamente trabalharem mais que o restante de seus colegas brasileiros.

Quem precisa de samba, não é mesmo?

Mas agora São Paulo está dando de cara com o seu samba.

Um samba que não é o de Ivete Sangalo em Salvador nem o das musas da Sapucaí.

Mas, como tudo em São Paulo, tem um charme meio desengonçado…

O carnaval de São Paulo é o de Alessandra Negrini, uma musa hipster-descolada do novo centro da cidade. Que grita, vestida de noiva sexy, contra a caretice do Congresso Nacional que muitas e muitas vezes encontra eco nas panelas e varandas gourmets de sua cidade.

O carnaval de São Paulo é o dos meninos do Hermes e Renato, com um politicamente incorreto curiosamente carismático, que brinca com “a história do caralho”, com a vovó que gosta de loló, e canta heróis nada convencionais, como o justiceiro implacável Charles Bronson ou o mestre da porrada, Silvester Stallone.

São Paulo encontra o seu carnaval, que nunca será melhor que o do Rio de Janeiro, Salvador ou Recife, mas que sabe das suas limitações e brinca com todas elas.

Vambora, São Paulo!!!!!

Sua carne (e seu coração) também são de carnaval.

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