As flores de plástico não morrem (porque não vivem)

 

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Troca-se o imponderável da grama pelo tapete padrão Fifa

Por Bruno Pavan

O sociólogo Zygmunt Bauman é um dos melhores intérpretes dos tempos modernos.

Antes de inventarem a sopa de letras da geração X, Y ou Z, o velhinho, já com seus 78 anos, escreveu que a sociedade hoje é líquida.

Ao contrário das pedras, que se movem ao longo dos séculos, o polonês entendeu que a nossa sociedade é volúvel como o líquido que balança, derrama e acaba em um curto período de tempo.

Isso serve pra relações amorosas, de amizade ou profissionais.

Nada do que é líquido se conserta. Você, simplesmente, compra outro.

Nem mesmo o futebol, uma instituição com profundas raízes, que passa a paixão (e os preconceitos) de geração pra geração, escapa.

Peguemos o exemplo das arenas da Copa do Mundo. Todas elas tiveram que passar por uma padronização para ter a honra de receber os jogos da Copa.

Muito bem, alguns estádios foram reformados, outros construídos do zero e todos ficaram com caras de……. Arenas. Todas iguais!

O Maracanã que tinha uma arquitetura única, se arenizou. O Mineirão, idem.

Os cabeças de planilha querem tomar o futebol pra eles.

O azul e o vermelho, que antes poderiam significar as cores de torcidas rivais, hoje representam o lucro e o prejuízo.

Business, diria o outro, com uma certa dose de razão.

Nessa semana, o Atlético Paranaense bateu o recorde de público de sua nova arena reformada e apresentou uma novidade.

Algum ídolo voltando? Alguma contratação valiosa da Europa?

Nada disso.

A novidade era que o clube havia trocado a grama da arena por grama sintética.

A história dos clubes, seus títulos e sua torcida, são diferentes entre si.

O que não muda, não importa o lugar do mundo? O jogo acontece com uma bola redonda sobre um gramado.

Grama sintética não é grama.

Qual tipo de canalha, da arquibancada, depositaria suas esperanças futebolísticas em um tapete artificial?

A grama é uma característica importante e que muda de estádio pra estádio. Algumas elogiadas, outras criticadas, mas algo vivo e definidor estava debaixo dos pés dos jogadores.

O jardineiro, que cuida da grama, muitas vezes pisou mais em um estádio do que o maior dos craques. O segundo pisa na grama uma, duas vezes por semana. O primeiro está lá todos os dias!

O gramado é parte do imponderável do jogo, dos quero-queros, dos morrinhos artilheiros, das poças d’água.

Mas agora um algum super-gestor que estudou marketing em uma escola dos EUA (onde o futebol tem a bola oval) trouxe essa incrível novidade para o Brasil.

Troca-se a grama pelo tapete…

(Alto lá, miserável!!! Tapete padrão Fifa!!!)

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