Jucá e o governo de salvação nacional

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Um governo de salve-se quem puder

Por Bruno Pavan

Na semana passada foi publicado, aqui neste espaço, entrevista exclusiva com a historiadora e professora titular da Universidade de São Paulo (USP) Lilia Schwarcz.

(Clique aqui para ler)

Ela tem uma tese, defendida nessa artigo, de que a história do Brasil é feita de golpes e contragolpes.

Desde a independência é assim, passando pela república, 1930, 1945, 1964…

Ela não coloca 2016 nesta série.

Em comum: os golpes foram dados sempre por uma parcela da população e para o benefício deles mesmos.

Questionada por esse repórter o motivo do país nunca ter feito uma reforma profunda nas suas estruturas, ela respondeu que o Brasil possui “uma lista de invencíveis”.

Essa frase me voltou à mente hoje de manhã, quando matéria do repórter Rubens Valente, da Folha de S.Paulo, tornou público um telefonema do ministro interino do planejamento Romero Jucá (PMDB-RR) para o ex-presidente da Petrobras Transportes S/A (Transpetro), Sergio Machado.

No áudio, que está em poder da Procuradoria Geral da República (PGR) devido ao acordo de delação premiada firmado por Machado, Jucá sugere abertamente um pacto para deter a operação Lava-Jato.

O áudio, de março, mostra Machado cobrando então senador uma estrutura para protege-lo:

“Aí fodeu. Aí fodeu para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu ‘desça’? Se eu ‘descer’…”

(Descer, nesse caso, deve se referir ao seu processo entrar no âmbito do juiz Sérgio Moro, de primeira instância).

Jucá também mostra intimidade com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) dizendo que a paralisação da operação só seria possível após o impeachment e que militares estariam “monitorando” movimentos sociais.

“Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? Então… Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.”

E, por fim, uma última passagem do diálogo me chamou atenção:

Machado: É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional

Jucá: com Supremo, com tudo

Machado: com tudo, aí parava tudo

Jucá é um dos invencíveis brasileiros.

Foi líder dos últimos três governos no Senado (FHC, Lula e Dilma), ministro da previdência do governo Lula, governador de Roraima de 1988 até 1991 e Senador pelo estado desde 1995.

Pelas conversas, tem trânsito livre e fácil com autoridades da suprema corte brasileira.

Sabia a cabeça que teria que entregar a opinião pública para paralisar, de acordo com as palavras do ministro, “essa porra” (Também conhecida como Operação Lava-Jato).

Sabe bem quem é o sujeito oculto na expressão “com tudo”.

E é para esses invencíveis a “união nacional” promovida pelo presidente interino Michel Temer.

(Porque para a CUT e o MST, o próprio áudio mostra, sobram os militares…)

Em tempo: talvez agora a ministra do STF Rosa Weber saiba de que golpe Dilma falava quando chamava o golpe de golpe.

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