Haddad: a cidade precisa se encontrar

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“Se eu ficar inelegível por causa de um trote eu vou até colocar no meu currículo”, diz Haddad Foto: Fernando Pereira/ Secom/ PMSP

Por Bruno Pavan

Quem está nas redes sociais e nas ruas sabe que o clima entre as pessoas é belicoso.

Em tempos de golpe, pessoas sã agredidas nas ruas por estarem vestindo roupas de cor diferentes, pela sua orientação sexual, etc.

Quem sofre com isso são as cidades, palco das interações sociais cotidianas.

O prefeito de São Paulo Fernando Haddad esteve, na última terça-feira (24) na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e falou sobre a questão da política na cidade.

Para ele, a política nas grandes metrópoles hoje é fazer com que os inúmeros movimentos que ocorrem se sintam representados por uma visão global da cidade.

“A política na cidade hoje está muito voltada em tecer o tecido social, que no caso presente está muito esgarçado pelo momento político brasileiro. O dialogo hoje está interrompido em várias frentes e talvez a recomposição disso passe por um processo meticuloso de recombinar esses fatores pra que as pessoas se reconheçam em um projeto ampliado”, disse.

Contando sobre os seus maiores desafios frente à prefeitura, Haddad se mostrou convencido de que o que acontece em uma cidade de mais de 10 milhões de habitantes não pode ser colocado em “compartimentos estanques” e que o gestor público precisa identificar os movimentos que acontecem para tirar dali um projeto urbano.

“O que é interessante considerar diante de fragmentação por um lado, e da energia transformadora do outro, é entender cada um na sua particularidade e identificar algo comum em torno de como a cidade deve se organizar. Não há outra forma de fazer política a não ser partindo das particularidades pra se ter uma visão de todo”, apontou.

Toda essa ideia de cidade será posta a prova em outubro, quando acontecem as eleições municipais em que Haddad será candidato.

Sua meta, de acordo com suas próprias palavras, é acabar com uma espécie de valsa paulistana onde é oito anos pra direita (Maluf-Pitta, de 1993 e 2001, e Serra Kassab, de 2005 a 2013), e 4 pra esquerda (Luíza Erundina, de 1989 a 1993, e Marta Suplicy, de 2001 a 2005).

“A eleição municipal sempre esquenta no final, um percentual considerável dos votos são resolvidos na última semana. Do meu ponto de vista, é gostoso ter vitória política e eleitoral, mas é melhor uma vitória política do que eleitoral. Às vezes você pode ter uma vitória política perdendo a eleição, e ter uma vitória eleitoral perdendo na política. O melhor é as duas coisas acontecendo juntas, e eu gostaria que o projeto continuasse”, torce.

Virada Cultural 

Em meio ao turbilhão de emoções da política nacional, aconteceu no último final de semana (20, 21 e 22) a 12a edição da Virada Cultural.

Nas cabeças, vozes e mãos das milhões de pessoas que saíram de suas casas e ocuparam a cidade, um protesto: Fora Temer!

Os vereadores do PMDB Heorge Hato, Nelo Rodolfo e Ricardo Nunes entraram com uma representação ao procurador-geral da Justiça, Gianpaolo Smanio, contra um suposto uso da máquina pública para incitar o ódio contra o presidente interino.

Haddad salientou que não poderia ter censurado os artistas e lembrou que a virada ocorreu na semana da extinção do Ministério da Cultura pelo governo interino, que já recuou da decisão.

“É uma loucura o que estão pretendendo. Além de acabar com o Ministério da Cultura, estão querendo acabar com a Liberdade de expressão. Na semana da extinção do MINC era impossível que não tivesse nenhuma reação nesse sentido”, disse ainda reforçando que artistas contrários ao governo, como Lobão, já foram convidados para outras edições da virada sob a gestão petista.

Judicialização da política

Desde o início da sua gestão, Haddad vem sofrendo problemas na justiça para governar. Não que haja acusações de corrupção contra a sua gestão, mas várias tentativas de implementação de políticas públicas estiveram obstáculos jurídicos.

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Gráfico mostra que arrecadação de multas no município caiu entre 2013 e 2015

Foi assim na proibição da atualização da planta genérica do IPTU, na implementação das ciclovias e das faixas de ônibus, a redução da velocidade nas marginais e, mais recentemente, contra a utilização das receitas proveniente das multas para a criação de novos terminais de ônibus e para a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

 

Haddad diz que a ação é “escancaradamente” política.

“O promotor falou que não pode gastar dinheiro de multa com terminal de ônibus e com a CET e tem uma indústria de multa na cidade. Todos os prefeitos usaram esse recurso pra isso, vários inquéritos sobre esse tema do MP da gestões anteriores foram arquivados. No caso do governo do Estado, que também tem recursos de multa, ele também entrou com uma ação, mas não chamou coletiva pra informar, não entrou com ação de improbidade administrativa, perdeu o prazo e a ação foi arquivada”

Além disso, o Ministério Público também investigará um trote que o prefeito passou no comentarista da rádio Jovem Pan Marco Antonio Villa, onde a agenda do presidente interino Michel Temer, que continha somente “despachos internos“ ficou por alguns minutos no site da prefeitura como sendo do prefeito. “Se eu ficar inelegível por causa de um trote eu vou até colocar no currículo”, brincou.

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