Não há salvo-conduto no futebol

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Por Bruno Pavan

O futebol sempre foi, pra muita gente, o ópio do povo.

Em um domingão à tarde, nada melhor pra esquecer as mazelas do cotidiano.

(O inferno fica lá fora, como cantou Wilson Simonal )

Isso nem sempre foi verdade absoluta, como mostra, por exemplo, essa série de documentários feito pelo grande Lúcio de Castro, veiculado na ESPN, sobre o futebol e as ditaduras sul-americanas na década. (Aquiaquiaqui, e aqui)

(Lúcio não está mais nos quadros de comentaristas do canal)

Hoje em dia é cada vez mais difícil descolar o futebol dos outros problemas da sociedade.

A maior torcida organizada do Corinthians já se pronunciou contra o lamentável grito de “bicha“ em cada tiro de meta cobrado pelo goleiro adversário.

Mas, como diz um amigo, o futebol será o último reduto em que barbaridades como a homofobia, o machismo, racismo e outras discriminações serão aceitas.

Quando acabar no futebol, acabou na sociedade.

Isso acontece porque o torcedor acredita que tem um salvo-conduto em tudo que envolve o esporte.

Tanto os que batem em pessoas vestindo a camisa de outros clubes, tanto os que não aceitam que jogadores de seu time sejam gays.

Esse comportamento, lamentavelmente, se reflete por muitas vezes no jornalismo esportivo praticado pelos meios de comunicação.

Não é comum ouvir piadas (pelo menos no ar ou no papel) sobre a orientação sexual de alguém no jornalismo político ou econômico, por exemplo.

No esportivo, é.

Tomemos o caso da ESPN Brasil, que na semana passada chamou o humorista Danilo Gentili para participar do programa Bate-Bola.

A mesma emissora que demitiu, em 2012, um jornalista por ter dado declarações homofóbicas nas redes sociais a torcedores do Grêmio, deu guarida a um humorista que já tirou sarro de crimes movidos pela mesma homofobia e com estupro.

Seu ex-diretor de jornalismo, José Trajano, criticou a produção do Bate-Bola na ultima sexta-feira (27) pela participação de Gentili no programa dizendo que a decisão acaba “justificando a pecha muitas vezes que o jornalista esportivo tem, de ser um sujeito alienado e por fora do que acontece no país”.

Em um momento em que cada vez mais homens e mulheres homossexuais assumem a sua orientação sexual, não será mais admissível que o futebol, dentro e fora dos estádios, aceite “piadas” e figuras como essas.

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