Alysson Mascaro: “não tenham esperanças no direito”

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“Do lado de cá está a minha carteira de professor da USP. A minha faculdade fez o pedido de impeachment. Do outro lado está minha carteira da OAB, que bateu palma”, disse Mascaro

Por Bruno Pavan

O momento pós golpe parlamentar sofrido pela presidenta afastada Dilma Rousseff tem gerado debates no campo progressista brasileiro.

Na última segunda-feira (30) professores da Universidade de São Paulo (USP) debateram quais os caminhos da esquerda para esse novo momento político brasileiro.

Para Vladimir Safatle, há hoje no Brasil um esgotamento da chamada “Nova República”, que teve início em 1984, com o acordo que pôs fim a ditadura militar brasileira.

Já na quinta-feira (2), no II Salão do Livro Político, que aconteceu em São Paulo, o professor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, Alysson Mascaro, junto com outras figuras da esquerda brasileira, analisou o ambiente político no país.

Mascaro ressaltou que o caminho para tirar o país da crise que se encontra é uma reforma das instituições tradicionais brasileiras, e que a população não deve depositar esperanças no direito.

“O direito é o horror, ele nos quebrou e continuamos louvando o direito e os juristas. Nós dizemos: aquele juiz é isso, aquele ministro do STF… não tem nada disso, não tem aquele ou aquele outro. Tenho duas carteiras aqui: de um lado, a da minha faculdade, que fez o pedido do impeachment. Do outro, a da OAB, que bateu palma”, disse.

“Hoje juiz é aquele que o pai pagou três anos de cursinho depois da faculdade. Quem manda soltar gravação da presidenta da República. É alguém que não tem compromisso social nenhum. Hoje o juiz se orgulha porque a sentença dele saiu no Jornal Nacional”, criticou.

Ele analisou também que ocorre hoje no mundo uma crise gerada pelo colapso da acumulação no capitalismo. Essa dificuldade é sentida até mesmo nos países europeus, como França e Itália, e foi o ponto principal para os golpes recentes na América latina, exemplos do Brasil, Honduras e Paraguai; e da primavera nos países árabes, que derrubou vários governos ditatoriais no Oriente Médio e norte da África.

“O capitalismo não consegue dar conta de um regime de acumulação como ele sustentou no século XX. Nesse ponto, não há nenhuma esperança. É que nós não temos condições, em termos de voz, de dizer que a nossa luta é pelo fim do capitalismo. Mas se nós não tivemos esse horizonte, nós estamos aqui puxando band-aids. E, pasmem, é dificílimo e ao mesmo tempo facílimo, porque são 99% das pessoas do mundo que vivem muito mal”, disse Mascaro, dando como exemplo a morte do feirante Mohamed Bouazizi, que botou fogo no próprio corpo em 2010 e foi o motim para a série de protestos que derrubaram o presidente Ben Ali, depois de 23 anos no poder.

O professor ainda acredita que será necessária uma nova organização da sociedade progressista para mudar as instituições e conseguir impor uma nova lógica ao sistema. Ele deu o exemplo dos diversos setores da sociedade, desde o sindicalista até o militante LGBT, que se uniram contra Eduardo Cunha.

“Eu tenho muita esperança de que a sociedade chegue um dia a um grau de contradição, sofrimento e esperança que saia do capitalismo e chegue ao socialismo, mas isso não sairá dessas nossas forma de luta. Esta nossa ganha o jogo que aí está. Depositem esperança nessa força profunda das massas. Esse quadro de horror do Brasil que, em pouco tempo, juntou centro esquerda, extrema-esquerda, sindicalista, gay, lésbica, hispster… só resta, materialmente, essa gente dar a mão”, encerrou.

Veja o vídeo do debate na íntegra:

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