O pato do japonês

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Por Bruno Pavan

O povo brasileiro necessita de heróis.

Mais do que isso, de momentos heroicos, que talvez sirvam pra anabolizar um sentimento de orgulho nacional.

Tiradentes é até hoje representado como um sujeito branco com cabelo cumprido e barba. Tal qual uma imagem, também fabricada, de Jesus Cristo.

Dom Pedro I é o imperador, no cavalo branco, que desembainha a espada e grita, triunfal e decidido, independência ou morte.

O novo herói brasileiro é um sujeito, ao contrário dos outros dois, nada convencional. Newton Ishii, também conhecido como Japonês da Federal,

virou máscara nesse carnaval, o que talvez seja a maior homenagem que alguém possa receber no Brasil em vida. Era o símbolo de um país que seria passado a limpo, que não aceitaria mais corrupção.

Ele buscava, à domicílio, a maioria dos presos da Operação Lava-Jato.

Nesse momento ele está preso.

Condenado a 4 anos de prisão pelo envolvimento na Operação Sucuri, que descobriu o envolvimento de agentes da Polícia Federal na facilitação da entrada de produtos contrabandeados do Paraguai para o Brasil.

Cabe lembrar aqui de uma das faixas que ficaram célebres durante os protestos em favor do impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff em que se lia: “sonegação não é corrupção”.

Nos últimos meses o Brasil inteiro conheceu o pato inflável gigante da Avenida Paulista, gestado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

O trocadilho dizia que os empresários paulistas não iriam “pagar o pato” da CPMF, que o governo Dilma procurava recriar, e o governo Temer fatalmente irá.

Outro monumento turístico de São Paulo é o “impostômetro”, uma espécie de placar que conta quanto o governo federal já arrecadou de imposto no ano.

Tudo isso serve pra embasar a teoria de que o setor produtivo brasileiro paga muito imposto.

Hoje, horas depois da prisão do japonês, o Instituto Liberal de São Paulo publicou em seu site um texto sobre o acontecido dizendo que Ishii, ao prejudicar o Estado, estava ajudando os mais pobres a comprar produtos mais baratos.

A lógica dos liberais brasileiros é simples: o Estado não pode bancar políticas institucionais de distribuição de renda, como o Bolsa Família, porque está incentivando a vagabundagem.

Quem ajuda mesmo os pobres é o nosso herói justiceiro de óculos escuros, que faz o Red Label de procedência duvidosa chegar mais barato no copo do brasileiro ~pagador de impostos~.

Na outra ponta da corda, o governo interino aprovou uma Desvinculação de Receitas da União de 30%. Isso significa que o governo vai tirar dinheiro que teria que ir, obrigatoriamente pela constituição, para áreas como saúde e educação.

O que sobrará desse dinheiro irá para o pagamento do juros da dívida pública brasileira. Agora, a pergunta que fica é: você, caro leitor, é credor da dívida pública brasileira? Pra quem esse pato está sendo servido?

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