Ciro Gomes: “nossa tarefa é recuperar a política e trocar os políticos”

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A esquerda formal já não diz nada ao cidadão que ascendeu economicamente nos anos do PT, diz Ciro Gomes. Foto: divulgação FESPSP

Por Bruno Pavan

O ex-governador do Ceará e ministro dos governos Itamar Franco e Lula, Ciro Gomes marcou presença na ultima terça-feira (14) em um debate promovido pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) para fazer uma análise do momento político e econômico do país.

Ciro, que é pré-candidato do PDT à Presidência da República em 2018, criticou o discurso anti-política que está dominando o cenário brasileiro e citou o nome da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva como o principal exemplo.

“Satanizar a política significa garantir o conservadorismo completo. Nossa tarefa agora é recuperar a política e trocar de políticos, mas com muito cuidado pra que o critério de troca não seja o moralismo de goela da Marina. Eu afirmo aqui que a Marina é honrada e não tenho a menor dúvida que ama o Brasil. Mas o acético, o purinho, especialmente com essa visão neopentecostal, se ajoelha para a plutocracia na hora se você deixar a população acreditar que a receita contra a corrupção é só trocar Chico por Mané”, criticou.

Na palestra, Ciro também não poupou críticas aos 13 anos de governos petistas. Para ele, como ascensão econômica de grande parte dos brasileiros não foi feita em conjunto com uma conscientização política, a esquerda tradicional já não tem nada a dizer pra esse cidadão, que já sofre os efeitos da crise econômica e se tornou conservador.

“Como isso foi feito em bases populistas, esse cidadão é conservador, ele acha que tudo que melhorou na vida dele foi esforço dele, individual, nessa ideia neopentecostal de prosperidade. Chamar esse povo hoje para defender a democracia em abstrato é impossível. Nós temos que chama-lo quando ele começar a entender concretudes e passar a raiva da Dilma. A esquerda formal não diz mais nada pra ele. Mea culpa que é bom, nada; conexão com a população, pedir desculpas pelas merdas que fizemos, nada e já passou da hora de fazermos isso”, apontou.

Caminhos na economia: reindustrialização do país.

Diversos economistas apontam que o capitalismo brasileiro vive uma nova fase desde o início da década de 1980. Ela se caracteriza pela forte desindustrialização do país nesse período e pelo baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com média de 2% ao ano.

Ciro aponta que o crescimento passa por fazer a economia brasileira ficar menos dependente do dólar. Ele alerta que o Brasil contou, em 2015, com um desequilíbrio da balança comercial de produtos manufaturados na ordem de US$ 120 bilhões de dólares e que é preciso recuperar os setores que mostram os maiores desequilíbrios.

“Por que razão vamos ser o país que vai privatizar a nossa autossuficiência em petróleo e gerar passivo externo líquido pra remessa de lucro pra compra de blocos tecnológicos já prontos? Temos toda a condição de fazer substituição de exportação competitiva, bastando verticalizar a nossa potencialidade extraordinária”, sugeriu.

Ele deu como exemplo que o complexo industrial da saúde no país gastou US$ 70 bilhões em importação ano passado, sendo que 76% disso foi em patentes já vencidas. “Com um centro de engenharia reversa você bota isso em Piracuruca, no Piauí, desmonta, copia os perfis, faz um arranjo produtivo local com a compra governamental garantida e associa pequenas empresas”.

Banco dos Brics revoga o receituário de Breton Woods

O cenário internacional também ajuda para que o país possa expandir as fronteiras de seus negócios. Uma das principais novidades da última década é o Banco dos Brics, que pode nascer já com a capitalização de US$ 100 bilhões. Por esse motivo, Ciro aponta que a tarefa do atual Ministro das Relações Exteriores, José Serra, é tirar o Brasil do grupo.

“Ele (BRICS) tem potencial de abrir a escala do mercado brasileiro pra China, Índia Rússia e África do Sul, e os caras querem desmontar isso, essa é a tarefa do Serra. Os Brics podem nascer com a capitalização de US$ 100 bilhões revoga o monopólio de Breton Woods e querem colocar o Brasil fora dele”, encerrou.

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